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CORDEL DA ALCA
Cordel da Área de Livre Comércio das Amérias

Geraldo A. de Sales / Agosto de 2002

Das Américas é a tal
Alca, que no Continente
Vai promover grande mal
Pois todos temos certeza
Vai aumentar a pobreza
No Hemisfério Ocidental

Maior Acordo do Mundo
Em cadeia se aglutina
Do norte do Canadá
Até sul da Argentina
Com poder destruidor
Passa o rolo compressor
Sobre a América Latina

Na Cúpula das Américas
Há oito anos passados
Na cidade de Miami
Onde os mais interessados
NAFTA, da América Central
Num “Bloco Comercial”
Para os mais fragilizados. 

Os agentes do acordo
São trinta e quatro nações
Cuba não foi convidada
Pelos tais anfitriões
O maior interessado
Deixou a Ilha de Lado
Com  severas restrições

Se Cuba fosse chamada
Não entrava nessa “fria”
Sabendo quem está à frente
Fidel jamais toparia
Pequena mais respeitável
Para cuba é intocável
A sua soberania. 

Mais de 70 por cento
Do PIB do Continente
Tio Sam guarda pra si
Tomando a linha de frente
Na corrida armamentista
Ardiloso e arrivista
Arrogante e prepotente.

São 11 trilhões de dólares
Das trinta e quatro nações
Três Américas e Caribe
São oitocentos milhões
De pessoas envolvidas
Milhões delas esquecidas
Nos mais distantes rincões.

Duzentos e vinte e quatro
Milhões vivem na pobreza
Mais de noventa  milhões
À míngua, sem pão à mesa
Por causa dos tubarões
Devido às imposições
Da usura e da riqueza.

A cartilha da avareza
Imposta pelos tiranos
Se não me falha a memória
Tem quase 60 anos
Criado depois da guerra
O BIRD  mira e não erra
Nunca falha nos seus planos.

Sabe quem propõe a ALCA?
O mesmo imperialista
Que invade outros países
Mas é nacionalista
Desrespeita as convenções
Vive humilhando nações
E nunca foi  pacifista.

É o maior terrorista
Que existe atualmente
Vive gerando conflitos
Pra depois cinicamente
Com a cara mais desnuda
Ir oferecer ajuda
Como se fosse inocente.

É o mesmo que atacou
Com a fúria de um vulcão
Granada, Líbia, Somália,
Iraque, Afeganistão,
Haiti e Panamá
Dentre outros inda há
Vietnã e Sudão.

Só quer saber de dinheiro
Dólar é seu alimento
Oprime o Terceiro Mundo
Causando dor e tormento
Num desespero profundo
Querendo mandar no mundo
Não dá trégua um só  momento

BID   e  FMI
E o BIRD  aliciante
São dos mais interessados
Na trama globalizante
Fazem povos infelizes
Subjugando países
Com política degradante.

Rico assediando pobre
Somente um idiota
Não vê queé papo furado
Conversa mole, lorota
De quem não tem nada novo
E quer enganar o povo
Com papo de agiota.

Da forma que foi mostrada
ALCA não traz novidade
Impondo as regras do jogo
Com muita desigualdade
São dezenas de exigências
Com terríveis conseqüências
Pra nossa sociedade.

Esse caras não enganam
Têm pose de marginal
Vêm lá do primeiro-mundo
Mandar em nosso quintal
Mas vamos frustrar seus  planos
E nesse bando de tiranos
Nós vamos baixar o pau.

Os juros são escorchantes
As garantias demais
O Acordo é leonino
As cláusulas são desleais
O país que assinar
Jamais se libertará
Nem terá sossego e paz

O príncipe F H C
Parece que está surdo
Perdeu a capacidade
De falar, parece mudo
Quer    as transnacionais
Com seu instinto voraz
Tomarem conta de tudo

BIRD  é quem dá as ordens
F H C  acata
Para os gringos, caviar
Pra nosso povo, batata
Vivemos de desenganos
Estamos há  8 anos
No regime da chibata

Desde o primeiro mandato
Que Fernando Henrique vem
Privatizando a Saúde
A Educação também
Mas só vai ficar feliz
Quando vender do País
O resto que ainda tem.

Vou dizer num vai-e-vem
Queé que ainda nos resta
Petrobrás, CEF   e  BB
Água e nossa Floresta
Mas o que provoca insônia
É saber que na Amazônia
Os gringos fazem a festa

Veja o Banco do Brasil
Do ilustre cheque ouro
Há quase duzentos anos
Uma jóia do Tesouro
Se um Liberal for eleito
Vai doá-lo, não tem jeito
Antes do ano vindouro.

Dizem que macaco velho
Não mete a mão em cumbuca
O pelegão entreguista
Deve tá lelé da cuca
Ou doido pra se arrumar
Fazendo o Brasil entrar
Nessa jogada maluca

Laranja, soja e café
Pra eles muito interessa
Isso nós temos de sobra
Pra lhes garantir remessa
Nessa “Livre Concorrência”
Não temos experiência
E eles não cumprem promessa

As conseqüências da ALCA
Vão tirar nosso sossego
Privatização completa
Aumento do desemprego
Cortar gastos sociais
Impor transnacionais
O tal presente de grego

Nossa Tecnologia
Será supervigiada
A região Amazônica
Por eles monitorada
Impondo o militarismo
Pois com imperialismo
A coisa tá  dominada.

Privatizar Previdência,
Educação e Saúde
Destruir meio-ambiente
Jogar lixo em nossa açude
Tudo isso está escrito
Na cartilha do maldito
Besta é aquele que se ilude.

Explorar matérias-primas
E recursos naturais
Invadir nossas florestas
E plantas medicinais
Forçar mais importação
Promover a inversão
Dos valores culturais.

Reforçar os monopólios
Com mais privatização
Acabar com Agricultura
Promovendo a migração
Em valores basilares
Dos laços familiares
Impor fragilização

Todos sabem muito bem
Que tio Sam é tirano
É  país  beligerante
Que massacra o ser humano
Quer o mundo dominar
E aos poucos confirmar
Seu ideal soberano

Mas vai entra pelo cano
Porque não vamos deixar
Este projeto da  ALCA
Vir pra nos escravizar
Pela paz do Continente
Vamos unir nossa gente
E contra vamos votar

O mundo não vai deixar
Que o cruel assassino
Massacre ainda mais
O nosso povo latino
Não podemos aceitar
Pois queremos comandar
O nosso próprio destino

Em Quito no mês de outubro
Tem  a    Reunião
Vai gente das três Américas
Num enorme mutirão
Com termos elogiáveis
“Aplaudir”  os responsáveis
por esta maquinação.

  Cúpula das Américas
Próximo ano, mês de abril
Já estão se organizando
Caravanas do Brasil
Buenos Aires urgente
Reunindo o Continente
Como nunca ninguém viu
Chegado o mês de setembro
Já na primeira semana
Nós vamos dizer um “NÃO”
À corja que nos engana
ALCA   e  FMI
Vamos dar-lhes pra sumir
Um cotoco e uma banana

Portanto, muita atenção
Para o que se anuncia
Quando setembro chegar
Do primeiro ao sétimo dia
À  ALCA diremos “NÃO”
Chega de tanta opressão
E viva a Soberania.

A primeira das perguntas
Do plebiscito aprovado
“O Governo Brasileiro
deve assinar o Tratado”
Prestemos bem atenção
Para respondermos NÃO
E aguardar o resultado

A Segunda quer saber
Se deve continuar
O Governo Brasileiro
Da coisa participar
A resposta é negativa
Pois uma nação ativa
Necessita prosperar.

Terceira e última pergunta
Só diz “sim” quem for insano
O Governo Brasileiro
Deve dar no próximo ano
Um pedaço da Nação
Alcântara, no Maranhão
Para o Norte-americano?

Às três, diremos que não
Esta ALCA  não me engana
A Campanha traduziu
O ideal que irmana
O povo do continente
A lutar ardentemente
Por dignidade humana

Vamos mostrar toda gana
Dos países em destaque
Rejeitando esta proposta
Dos ditadores de araque
Abortar essa marmota
Dizer “NÃO” ao agiota
E rasgar seu almanaque

Depois, tocar atabaque
Flauta, viola e pandeiro
Escrever nossa epopéia
E dizer ao mundo inteiro
Viva o nosso Continente!
Viva a nossa brava gente!
Viva o povo brasileiro.

Sé da Washinton Luis

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