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Joaquim
Gomes*
Mais
de quarenta anos depois da abusada revolução
que ousou instaurar um governo popular ao lado da materialização
do capitalismo, Cuba volta ao cenário internacional.
Mais uma vez, uma chuva de declarações oposicionistas
ao governo castrista é vista nas TVs, nos jornais,
nas rádios, e assinada por intelectuais, governos,
o Papa. Oportunamente, estes mesmos noticiários
que transmitem tais declarações, resumem
o fato que ocorrera, de um modo simplista sem descreve-lo
com detalhes. Assim como omitem declarações
de apoio à Cuba e às execuções.
A grande mídia se reserva a inferiorizar o governo
cubano, sistematicamente chamado de "o regime de
Fidel Castro", subjugando e ridicularizando toda
a organização política de um país,
insinuando que o regime, ou melhor, que Cuba "é
de Fidel".
O
fato que gerou tal balbúrdia foi o de um barco
com 36 passageiros, entre eles mulheres e crianças,
ter sido seqüestrado. Seqüestradores submeteram
36 trabalhadores, a vários tipos de humilhação
e ameaças de morte. Colocaram facas no pescoço
de operários, ameaçaram jogar mulheres no
mar, e quem sabe não o teriam feito se forças
especiais cubanas não houvessem invadido o barco.
Agora nos perguntemos: isso caracteriza um ato político?
Ou um ato de extremo terrorismo, físico e psicológico?
Tal barbárie é comparável aos nossos
narcotraficantes cariocas, que queimam ônibus com
trabalhadores dentro, tiram crianças de dentro
das escolas, ou aos seqüestros relâmpagos que
se consagraram em São Paulo, tirando as vezes o
pouco dinheiro que o trabalhador conseguiu juntar, ou
mesmo aos atentados cometidos contra os sem-terra, no
campo. Se você, leitor, esteve num ônibus
queimado, num assentamento metralhado, ou mesmo num barco
com facas apontadas para seu pescoço, sabe que
a pena de morte para tais indivíduos, não
foi um ato desumano.
O
governo cubano tem o direito de proteger seus cidadãos,
fazendo o favor à humanidade de banir tais indivíduos
do direito à vida. O mais intrigante e contraditório,
é que o mesmo governo que decepou os dois braços
de uma criança, que matou em um segundo 16 familiares,
que jogou bombas atômicas em civis, que estrupou
e matou milhares de vietnamitas, que gasta bilhões
com bombas enquanto dissemina a miséria e a fome,
este mesmo governo, o governo que mais executa prisioneiros
no mundo, ainda tem a cara-de-pau, de se declarar contra
a morte de três terroristas, que foram presos e
julgados. E mais: invocando os tais "direitos-humanos"
como desculpa. Que direitos humanos? Aqueles que eles
desrespeitaram ao torturar abertamente prisioneiros em
Guantánamo? Aqueles que eles desrespeitaram ao
descumprir o acordo de Genebra? Cuba têm suas leis,
e estas foram, e como devem ser, respeitadas. Ao contrário
do que se vem insinuando e afirmando, o processo se arrolou
rapidamente (diga-se de passagem, rápida e exemplarmente)
por causa das irrefutáveis provas. Os acusados
tiveram direito à ampla defesa, aos documentos,
a advogados... enfim o processo foi absolutamente comum
aos olhos da lei cubana.
O
que acontece, é que a locomotiva mundial do capitalismo,
os EUA, entra em uma profunda crise. Por isso, neste momento
vemos um processo de reafirmação do império,
que não quer ser questionado, para não ser
derrubado. Um grito é capaz de botar abaixo uma
construção que está desabando. Por
isso calar todas as vozes, por onde possam gritar aqueles
que sabem da putrefação estadunidense é
parte fundamental do processo de reafirmação
capitalista. Assim, tal balbúrdia em cima desse
tema é mais uma parte da conspiração
estadunidense de incentivo à contra-revolução.
O Iraque foi o primeiro, a diferença é que
Cuba não tem petróleo. Como se vê,
eles não aprenderam nada com a Baía dos
Porcos.
Mais
uma vez, na falta de desculpa, os americanófilos
usam o pretexto de que o governo cubano é tirano.
Mais uma vez a velha e surrada desculpa da democracia
burguesa. Talvez, para os ianques, democracia é
quando o povo vai para as urnas, escolhe que obedecerá
nos próximos anos, e depois volta ao trabalho.
Sem questionamentos, sem distúrbios. Mas democrático,
não seria aquele governo que oferece igual condição
de vida para todos? Democrático, não seria
o governo em que toda a saúde e educação
são gratuitas e acessíveis para toda a população?
Ou democrático é somente o governo que faz
eleições e o povo continua sendo explorado?
"A diferença entre uma democracia e uma ditadura consiste
em que numa democracia se pode votar antes de obedecer
às ordens" já diria Charles Bukowski. Mas
não vamos continuar a argumentar aqui, até
porque "o melhor argumento contra a democracia é uma conversa
de cinco minutos com um eleitor comum" - Winston Churchill.
Por
isso, devemos nos organizar contra a agressão que
se desenha, mais fortemente do que contra nos organizamos
contra a agressão imperialista ao Iraque, pois
desta vez, quem sabe não seremos nós a bola
da vez: Cuba, Colômbia, Amazônia...Brasil.
Ao contrário de Saddan, Fidel não comanda
um povo pobre por que quer, e sim porque é obrigado
depois de 40 anos de um embargo econômico fascista.
E esta é a grande sacada de Cuba: há pobreza,
mas não há miséria. Não vemos
crianças ou mesmo mendigos nas ruas cubanas. E
também não vemos o povo demonizando o governo,
pelo simples fato do povo se considerar parte integrante
dele.
O
povo de Cuba, como independente e livre têm o direito
de deliberar sobre seu governo e sobre suas leis. Têm
o direito de executar seqüestradores terroristas
que descumprem a lei se assim estiver determinado em seu
código penal, e acima de tudo, tem o direito de
deliberar se quer ou não o governo que for no poder,
sem a interferência de outra nação.
Se a revolução chegou ao poder em Cuba,
isto só aconteceu porque foi uma ação
apoiada e regida pelo proletariado. Se o povo cubano fosse
contra Fidel, Che, Camilo e Raúl, a revolução
não teria de modo algum triunfado. O que confere
ao governo de Cuba legitimidade e autodeterminação
necessárias para guiar um país. E é
por isso que os verdadeiros comunistas e revolucionários
mundiais, e a Força Revolucionária, nunca
abandonaram o sonho cubano, e não abandonaremos,
muito menos nesta hora.
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Presidente nacional da FR
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