|
fonte:
Vermelho.org.br
A
polícia turca dispersou a tiros ontem uma multidão de
manifestantes que pediam mais ajuda do governo para as
vítimas de um terremoto que castigou a província de Bingol
— matando mais de 150 pessoas e deixando dezenas de crianças
soterradas sob uma escola dormitório na quinta-feira.
O premiê Tayyip Erdogan disse que as manifestações tinham
sido realizadas por "provocadores" de Bingol
— centro de rebeliões armadas de separatistas da
minoria étnica curda nas décadas de 80 e 90.
A
tensão aumentou durante a manhã, quando mais de mil pessoas
fizeram uma passeata até o escritório do governador da
província de Bingol. Gritando "renuncie, renuncie!",
eles acusavam o governador de não ajudar as vítimas da
tragédia e pediam mais barracas para os desabrigados,
além de mais comida. Uma van branca da polícia foi lançada
contra a multidão, numa tentativa de deter a manifestação.
Segundos depois, policiais nos degraus do escritório do
governador dispararam longas rajadas de armas automáticas
para o ar, durante dois minutos.
Cenas
de pânico rapidamente se espalharam pelo local. Manifestantes
fugiram pelas ruas laterais, mergulharam no chão ou se
esconderam atrás de carros. Quando os tiros pararam, eles
gritaram contra os policiais, enquanto os organizadores
da manifestação pediam calma. Momentos depois, o protesto
recomeçou, com homens atirando pedras contra carros da
polícia e veículos blindados. Os policiais — alguns usando
máscaras negras das forças especiais — se esconderam atrás
de prédios, disparando novamente para o alto ou usando
cacetetes e jatos d'água contra a multidão. Muitas pessoas
ficaram feridas.
À
medida que os protestos se intensificavam, as esperanças
de que ainda houvesse vida sob os escombros da escola
dormitório destruída pelo terremoto diminuíam. O tremor
de 6,4 graus na escala Richter atingiu a região sudeste
da Turquia na manhã de quinta-feira, quando a maioria
das pessoas dormia. Prédios foram esmagados em Bingol
e outras duas cidades adjacentes.
Socorristas
trabalhavam dia e noite, tentando encontrar crianças que
tenham sobrevivido ao terremoto. Pela manhã, os corpos
de 38 crianças e de um professor tinham sido retirados
da escola. Os pais não saíam dos arredores da escola,
enrolados em cobertores e em torno de fogueiras. Os gritos
por ajuda que vinham dos escombros terminaram durante
a noite, mas a polícia enviou cães farejadores a áreas
dos escombros. Eles tinham esperanças de que houvesse
sobreviventes entre as cerca de 70 crianças consideradas
desaparecidas.
Com
agências internacionais
|